Mescla de obras, projetos sociais e ações culturais viabiliza a revitalização do centro do Rio de Janeiro

Praça Tiradentes, ícone da revitalização do centro do Rio de Janeiro

Praça Tiradentes, ícone da revitalização do centro do Rio de Janeiro

 

Depois de anos em estado de crise profunda, com a violência gerando o terror e alimentando os noticiários, o Rio de Janeiro vive um momento de efervescência na segunda década do século 21 e o território que melhor representa esse renascimento é o centro da cidade. Uma mescla de obras de engenharia e arquitetura, projetos sociais, ações culturais e de requalificação da matriz de transporte coletivo está levando a uma progressiva revitalização do centro do Rio, que voltou a ser um espaço privilegiado para a produção e contemplação artística, o lazer e a prática da cidadania ativa. Revitalizado, o centro da capital fluminense atrai cada vez mais importantes investimentos e novos negócios.

A série de grandes eventos – Rio+20, Jornada Mundial da Juventude, Copa das Confederações, Copa do Mundo e Olimpíadas – e as iniciativas direcionadas para a redução dos índices de violência representam importante estímulo, mas na realidade o resgate do centro do Rio para a população, para o exercício pleno da cidadania, é fruto de ações realizadas nas últimas duas décadas, pelo menos. Ações envolvendo poder público, iniciativa privada e sociedade civil organizada, e resultantes de planos estratégicos pactuados, muito discutidos. Se existem obras polêmicas, são aquelas implantadas de forma vertical, sem a necessária participação de todos os interessados.

A revitalização do centro do Rio indica algumas lições: (I) Uma ação desse porte depende de vontade política e de ação conjunta do poder público, sociedade civil e setor empresarial. (II) São ações de médio e longo prazos, dependendo, portanto, de continuidade, independente de mudanças de orientação nos governos municipais. (III) A revitalização começa pela cultura, pela alegria, pela elevação da autoestima.  

São diversos projetos em curso ou já concluídos. Dois grandes programas, ou conjuntos de projetos, se destacam, servindo como âncoras da transformação do centro do Rio:

1. Novo Rio Antigo e a volta da Lapa boêmia – A revitalização da Lapa, resgatada como bairro boêmio e polo cultural, é derivada do Projeto Corredor Cultural do Rio de Janeiro, iniciativa de 1979 da Prefeitura e compreendendo a recuperação de espaços históricos do centro, como a própria Lapa, praça Tiradentes e cercanias, Saara, Largos da Carioca e São Francisco, entre outros.

Pode-se dizer que a retomada da Lapa pela cidadania começou no ritmo da música, pelo papel desempenhado pela Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Sala Cecília Meirelles e outros espaços como a casa de shows Asa Branca. O território entre as ruas Joaquim Silva e Riachuelo e avenida Mem de Sá  tornou-se o epicentro do renascimento cultural do bairro.

Depois a Lapa foi beneficiada pelo Projeto do Polo Novo Rio Antigo, que fortaleceu a região em termos econômicos.  Como consequência, foi criado o Pólo Cultural, Gastronômico, e Histórico do Novo Rio Antigo. Projeto intersetorial e multiinstitucional, com atuação marcante de organizações como a Associação de Comerciantes do Centro do Rio Antigo (ACCRA).

Rua Buenos Aires, um dos eixos da Saara, o território do comércio popular no centro do Rio: revitalização considera novo vigor para a economia

Rua Buenos Aires, um dos eixos da Saara, o território do comércio popular no centro do Rio: revitalização considera novo vigor para a economia

 

2. Porto Maravilha –  Diversas operações urbanas e ações sociais e culturais já estão mudando o perfil desse pedaço especial do Rio. Em março de 2013 foi inaugurado o Museu de Arte do Rio (MAR), na Praça Mauá, o mais novo território artístico-cultural da cidade, instalado no Palacete Dom João VI e em um antigo terminal rodoviário, onde foi montada a Escola do Olhar, voltada para a formação de educadores da rede pública.

No pé do Morro da Providência (onde nasceu uma das primeiras favelas do Rio), foram restaurados os Galpões da Gamboa, espaço cultural de 18 mil metros quadrados reinaugurado recentemente, no início de setembro, com a segunda edição do ArtRua, Festival de Arte Urbana, realizado de forma paralela ao ArtRio, uma  feira internacional de arte que ocupou os armazéns 1, 2, 3 e 4 do Píer Mauá, na Avenida Rodrigues Alves, também na região central-portuária.

Até 2016, quando a operação urbana Porto Maravilha deve estar concluída, a região vai ganhar novos 143.855 m² de áreas de praça e de lazer, atingindo 232.000 m², quase três vezes o espaço ocupado atualmente com estes fins. Um dos prédios que será restaurado na região é o da Sociedade Dramática Particular Filhos de Talma, na Saúde, que é a primeira escola de arte dramática do país, fundada em 1879.

Um antigo armazém da empresa Paranapanema, por sua vez, será restaurado e transformado na Fábrica de Espetáculos, onde será instalado o acervo do Theatro Municipal e onde funcionarão oficinas de profissionalização na área de espetáculos. A Accademia  Teatro Alla Scala de Milão (a famosa casa de espetáculos onde brilhou o brasileiro Antônio Carlos Gomes) dará consultoria para a Fábrica.

Em função das obras realizadas na região do Porto Maravilha, foi redescoberto em 2010 o Cais do Valongo, onde, estima-se, desembarcaram mais de 500 mil escravos africanos e que desde então já se tornou um ícone para a cultura negra. Por sua importância monumental, já foi aberto processo na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e Cultura (Unesco) para tornar o Cais do Valongo patrimônio histórico da humanidade. O Porto Maravilha também tem incidência no bairro da Saúde e áreas históricas como Praça Mauá, Igreja São Francisco da Prainha e Jardim Suspenso do Valongo. Construído pelo ex-prefeito e urbanista Francisco Pereira Passos, no início do século 20, é um jardim com características singulares no Brasil.

O Museu do Amanhã (concebido pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava, com obras espalhadas por todo mundo), outro projeto ligado ao Porto Maravilha, é iniciativa conjunta da Prefeitura do Rio de Janeiro e Fundação Roberto Marinho, tendo como Patrocinador Master o Banco Santander e o apoio do Governo do Estado, através da Secretaria do Ambiente, do Governo Federal, pela Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), e da Secretaria dos Portos. Entre outros parceiros estão o Smithsonian Institute e a California Academy of Sciences, dos EUA; o Parc de La Villette, da França; o Worldwatch Institute e o World Resources Institute; e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

A região de abrangência do Porto Maravilha (zona portuária e centro) também terá a implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), com seis linhas e 42 paradas e capacidade para transportar 282 mil passageiros por dia. Um toque especial de mobilidade urbana, na cidade que há anos encara a revitalização de sua região central como fundamental para a melhoria da qualidade de vida.

Futuro das águas de São Paulo começa a ser decidido em Campinas a 2 de outubro

Rio Piracicaba seco, quando a região de Campinas tem disponibilidade de água equivalente à de países secos da África

Rio Piracicaba seco, quando a região de Campinas tem disponibilidade de água equivalente à de países secos da África

 

O futuro das águas na Macrometrópole Paulista, que soma 180 municípios e 75% da população do estado mais rico do Brasil, estará em discussão em uma série de seminários no início de outubro, um deles em Campinas. Estará em discussão o Plano Diretor de Aproveitamento dos Recursos Hídricos para a Macrometrópole Paulista, elaborado com o objetivo de analisar alternativas de novos mananciais para o suprimento de água para a região – a mais estratégica do país, em termos políticos e econômicos – até o ano de 2035. O estudo apontou nove arranjos para garantir o suprimento de água nos próximos 20 anos na Macrometrópole, e a região de Campinas – localizada nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí (PCJ) – é considerada como absolutamente fundamental para a segurança hídrica no Estado nas próximas duas décadas.

Cada um dos seminários será voltado para uma ou mais regiões que compõem a Macrometrópole Paulista. No dia 1 de outubro, em São Paulo (na sede da FIESP), o seminário será voltado para a região da bacia do Alto Tietê, Baixada Santista e RIbeira do Iguape. No dia 2 de outubro, em Campinas, evento para as bacias PCJ, Mogi-Guaçu, Sorocaba/Médio-Tietê e Alto Paranapanema. E, no dia 3 de outubro, seminário em Taubaté, com público alvo dos Comitês Paraíba do Sul, Serra da Mantiqueira, Litoral Norte e Comitê Federal do Paraíba do Sul (CEIVAP).

O governo paulista tem garantido que não se trata do estudo final, mas de uma minuta, com as alternativas já definidas de abastecimento futuro da Macrometrópole. As sugestões e críticas durante os três eventos seriam considerados. No dia 15 de outubro, no Edifício Cidade I (sede do Departamento de Águas e Energia Elétrica – DAEE), na cidade de São Paulo, será realizado um Seminário Final (com todos os Comitês envolvidos) para apresentação das contribuições incorporadas e Relatório Final.

As estimativas são de que, em 2035, a Macrometrópole Paulista (formada pelas regiões metropolitanas de São Paulo, Campinas, Baixada Santista e Vale do Paraíba/Litoral Norte, e aglomerados urbanos de Jundiaí, Sorocaba e Piracicaba) terá 6 milhões de moradores a mais do que hoje. Isto significa que a região precisará de novos 60 metros cúbicos, ou 60 mil litros, de água por segundo, para satisfazer o abastecimento urbano, indústria e agricultura.

Os nove arranjos apontados no estudo representam no máximo 30,59 metros cúbicos, ou 30 mil litros de água por segundo a mais, ou seja, cerca de metade do que a Macrometrópole precisará até 2035. Outras alternativas terão que ser identificadas.

Dos nove arranjos de novas alternativas de abastecimento indicadas no estudo, foram apontados quatro como os mais indicados, considerando sua viabilidade econômica, física e ambiental, na perspectiva do governo paulista. E todos os quatro consideram a necessidade de construção de duas barragens na bacia do rio Piracicaba, de Pedreira e Duas Pontes, nos rios Jaguari e Camanducaia.

Essas duas novas barragens são consideradas estratégicas, igualmente no contexto da negociação sobre a renovação da outorga do Sistema Cantareira, em 2014. O Cantareira representa metade do abastecimento da Grande São Paulo. Essas águas são retiradas da bacia do rio Piracicaba, onde estão armazenadas em um conjunto de cinco grandes reservatórios.

As bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí estão reivindicando que, na renovação da outorga, seja garantido um mínimo de 15 metros cúbicos, ou 15 mil litros de água por segundo do Cantareira para abastecer a região. Atualmente, o Cantareira garante a liberação de até 5 metros cúbicos por segundo. Ou seja, as duas barragens realmente são estratégicas.

Um calendário de negociações em torno da renovação da outorga do Sistema Cantareira (ou seja, da autorização para a Sabesp continuar exportando água da bacia do rio Piracicaba para a Grande São Paulo) já foi firmado com a chancela da Agência Nacional de Águas.  Ele prevê que as negociações sejam concluídas até março de 2014. Há um temor de que, se as negociações se estenderem, o período da Copa da FIFA e, depois, campanha eleitoral para presidente e governador de São Paulo complique o processo.

Está em jogo o futuro do abastecimento da região mais importante do país em termos econômicos e políticos. A cidadania deve estar absolutamente mobilizada e atenta e participativa, para que depois não ocorram surpresas desagradáveis. O momento é de diálogo e seriedade.

 

Avanços e desafios da rede municipal de ensino de Campinas em debate na quinta-feira na FEAC

Primeiro dos Encontros Mensais foi no dia 29 de agosto (Foto Valéria Abras/CCE)

Primeiro dos Encontros Mensais foi no dia 29 de agosto (Foto Valéria Abras/CCE)

Quais os avanços e os desafios relativos à rede municipal de ensino de Campinas, que conta com 200 escolas e cerca de 60 mil alunos? Questões em debate nesta quinta-feira, 26 de setembro, entre 10 e 12 horas, no Encontro Mensal do Compromisso Campinas pela Educação (CCE). Será uma importante oportunidade para a exposição de dados gerais sobre a educação em Campinas, em sintonia com a missão do CCE de contribuir para o avanço na qualidade educacional praticada no município. O evento, o segundo da série de Encontros Mensais iniciada em 29 de agosto último, acontece mais uma vez na sede da Fundação FEAC (Rua Odila Santos de Souza Camargo, 34, Jardim Brandina – Campinas/SP).

O conjunto de avanços e desafios na rede municipal será apresentado pelo Diretor Pedagógico da Secretaria Municipal da Educação de Campinas, Julio Antônio Moreto. A Prefeitura tem participado de todos os eventos do Compromisso Campinas de Educação desde o lançamento do movimento, em novembro de 2007. Neste 2013, de modo especial, a Prefeitura já esteve presente em maio, quando do lançamento do Observatório da Educação, prestigiado pelo prefeito Jonas Donizette. O Observatório da Educação foi criado com o propósito de democratizar o acesso a informações e disponibilizar resultados de análises e estudos sobre temas relacionados a serviços socioeducacionais, com ênfase especial no município de Campinas.

Tanto o Observatório como os Encontros Mensais fazem parte de um processo visando mobilizar a cidade para que, em 2014, seja dado um grande salto no envolvimento de toda a sociedade na causa da educação de qualidade em Campinas. A cidade que é polo científico e tecnológico, sede de uma importante região metropolitana, pode viabilizar um grande movimento pela educação de qualidade, um dos maiores desafios coletivos no Brasil para o século 21.

Participarão do encontro desde 26 de setembro, como convidados, representantes de escolas das redes municipal e estadual de ensino de Campinas, patrocinadores do CCE e potenciais patrocinadores de projetos na área da educação, interessados na temática, educadores, especialistas, além de gestores da política pública da educação, entre outros.

Outros dois “Encontros mensais do Compromisso Campinas pela Educação” acontecerão ainda neste ano. O encontro de novembro estará integrado na programação da 4ª Semana da Educação de Campinas, que ocorre de 4 a 8 de novembro e que representa o principal momento para uma reflexão sobre o cenário atual e as perspectivas para a educação pública no município.

Os “Encontros mensais do Compromisso Campinas pela Educação” são eventos gratuitos e abertos ao público. As vagas são limitadas. Por isso a confirmação antecipada de presença deve ser feita pelo número (19) 3794-3512 ou pelo e-mail atendimento@compromissocampinas.org.br

Cooperativa “Antônio da Costa Santos” muda com apoio de programa internacional

Novo espaço do refeitório, uma das áreas remodeladas da cooperativa, que também passou por transformações no sistema de gestão

Novo espaço do refeitório, uma das áreas remodeladas da cooperativa, que também passou por transformações no sistema de gestão

No próximo sábado, dia 14 de setembro, a Cooperativa de Produção dos Profissionais em Coleta, Manuseio e Comercialização de Materiais Recicláveis e Reutilizáveis “Antônio da Costa Santos”, localizada no Jardim Satélite Íris, em Campinas, irá comemorar a remodelação de suas instalações. A Cooperativa passou por uma completa reformulação do espaço físico e de seu processo de gestão no último ano, em função de sua participação no Programa PorAmérica, da RedEAmérica.

Neste dia 10 de setembro é lembrada a morte do ex-prefeito Antônio da Costa Santos. Em seu curto período de governo, foi fundamental para viabilizar a operação da cooperativa, instalada na região onde durante muitos anos funcionou o “lixão” de Campinas, no Satélite Íris. Atualmente, esta é uma das regiões mais ativas em termos de ações pelo desenvolvimento integral, a partir de redes intersetoriais locais e de projetos como o da Cooperativa “Antônio da Costa Santos”.

A Cooperativa nasceu da iniciativa de moradores da região, na época desempregados, que participaram de cursos de formação da Cáritas. Evoluiu no grupo a ideia de constituição de uma cooperativa, instalada em uma área do município onde durante muitos anos funcionou um barracão de “engorda” de suínos.

A persistência dos pioneiros acabou chamando a atenção do poder público municipal e o projeto da cooperativa recebeu o apoio oficial do prefeito eleito em 2000, Antonio da Costa Santos, que sempre colaborou, como arquiteto e ativista político, com associações comunitárias. Em 10 de setembro de 2001, com pouco menos de um ano no cargo, o prefeito foi assassinado, gerando uma comoção geral na cidade e muita inquietação entre os participantes do projeto, que acabaram dando o seu nome para a cooperativa. A sucessora de Costa Santos, Izalene Tiene, manteve o apoio e a cooperativa recebeu novos recursos, embora o trabalho continuasse sendo executado de forma precária.

Em março de 2011, após longa tramitação, a Câmara Municipal de Campinas aprovou a concessão de uso para a cooperativa, sobre um terreno de 2 mil metros quadrados, bem ao lado da árvore e do barracão que marcaram o começo da mobilização.

 

Barracão onde funciona a cooperativa há 13 anos, e que foi batizada em homenagem ao ex-prefeito de Campinas

Barracão onde funciona a cooperativa há 13 anos, e que foi batizada em homenagem ao ex-prefeito de Campinas

 

Ano de transformações – Desde o ano passado, em razão da participação no Programa PorAmérica, a Cooperativa vivenciou a implantação de uma política de qualidade, a montagem de um novo layout e a capacitação de triadoras para atuar de forma apropriada diante do Sistema de Gestão de Resíduos Sólidos de Campinas, no âmbito das possibilidades abertas pela Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Este é o resultado do projeto “Construindo sonhos através dos recicláveis”, desenvolvido pela Cooperativa e que recebe, desde 2012, apoio técnico e financeiro do Instituto Arcor Brasil, como parte do Programa PorAmérica, da RedEAmérica.

A implantação de uma política de qualidade é fruto da série de oficinas ministradas pelo Prof Dr. Robisom Calado, da PUC-Campinas, parceira do Centro de Referência em Cooperativismo e Associativismo (CRCA) e do Instituto Arcor Brasil no apoio ao projeto.

As oficinas abordaram uma série de temas relacionados diretamente ao processo de qualificação da Cooperativa: Solidariedade, Humanização, Valor da cooperação, Política de Qualidade, Ferramenta 5S, Ferramenta Kaizen, Segurança, Produtividade e Melhoria Contínua.

Foi utilizada uma metodologia concebida para que os cooperados compreendessem as situações e explicações de forma simples e clara, e que pudessem participar ativamente, apontando desafios e ajudando a identificar melhorias.

A política de qualidade da Cooperativa “Antônio da Costa Santos” passou a ter estes eixos centrais: Aumento da renda e geração de trabalho; Satisfação dos clientes com materiais bem separados; Aumento da produtividade com segurança e organização; e Melhoria contínua da gestão. O novo layout foi implantado após a reforma de alguns dos espaços físicos da cooperativa.

Também foi desenvolvido um Programa de Formação de Triadoras, para as cooperadas. Foram oficinas realizadas com apoio do CRCA, do Banco Popular da Mulher e do Instituto Arcor.  O Programa foi dividido em sete módulos, cada um pensado para o aprofundamento da compreensão pelas cooperadas de aspectos essenciais para o exercício de suas atividades. Foram então oferecidos módulos sobre; Cooperativismo; Produção, Saúde e Segurança; Características do plástico e sua “familia” (dois módulos); A “familia-papelão”; A “familia papel-papelão”; e um módulo de avaliação.     Módulos ministrados por profissionais do setor e cooperados de organizações que já lidam com situações semelhantes.

O Programa PorAmérica – Programa Fortalecimento de Organizações de Base – ODB para Combater a Pobreza é uma iniciativa promovida e cofinanciada pela RedEAmérica, em aliança com o Banco Interamericano de Desenvolvimento – BID e a Corporação Consórcio para o Desenvolvimento Comunitário. Organizações filiadas à RedEAmérica no Brasil apoiam projetos de redução da pobreza, como o da Cooperativa “Antonio da Costa Santos”, financiado pelo Instituto Arcor Brasil.

Nascida em 2002, a RedEAmérica articula esforços de fundações, institutos e organizações empresariais que estão interessadas em encontrar novas e melhores formas de investir seus recursos no desenvolvimento das comunidades onde atuam. Hoje a Rede conta com 70 organizações de origem empresarial que fazem investimento social privado em 12 países da América Latina.

O Instituto Arcor Brasil foi criado em 2004 e tem como missão contribuir para que crianças e adolescentes tenham igualdade de oportunidades por meio da educação. O Instituto atua preferencialmente nas regiões onde a Arcor do Brasil tem suas fábricas, no interior de São Paulo e regiões metropolitanas de Belo Horizonte (MG) e Recife (PE), relacionando-se com as comunidades locais. Já são mais de 330 projetos apoiados pelo Instituto nesses nove anos pela Educação. O Instituto possui quatro linhas de ação: apoio a projetos e organizações, geração e divulgação de conhecimentos, defesa de direitos e relações com a comunidade.

A cooperativa ficou mais forte, e tomou a iniciativa de financiar uma empilhadeira, mais do que útil para poupar muito trabalho pesado

A cooperativa ficou mais forte, e tomou a iniciativa de financiar uma empilhadeira, mais do que útil para poupar muito trabalho pesado

O centro da política ou a política no centro de Campinas

O povo no centro, a 20 de junho, e depois voltou, no Chefs na Praça, aniversário da cidade: ágora já (Foto Adriano Rosa)

O povo no centro, a 20 de junho, e depois voltou, no Chefs na Praça, aniversário da cidade: ágora já (Foto Adriano Rosa)

 

Alguns pontos sobre a questão política, relacionados a eventual projeto de revitalização do centro de Campinas.

Instituições importantes deixaram o centro nas últimas décadas.

Primeiro as universidades. A Unicamp começou com a Faculdade de Medicina, que por anos funcionou na Santa Casa, na transição do centro para o Cambuí.

Depois a PUC, que também deixou o campus central, embora mantenha algumas atividades no Pátio dos Leões.

A Câmara Municipal igualmente deixou a região central, para se fixar na avenida da Saudade.

E o Fórum também migrou, para outro ponto da cidade.

Permanece a Prefeitura – simbólico de que o destino do centro depende única e exclusivamente da vontade do Executivo? Tomara que não.

Esvaziado, mas nem tanto. No centro permanecem algumas das mais importantes entidades sindicais e representativas de classe.  Decisões sobre o futuro de destacadas profissões e atividades profissionais são tomadas em assembleias ou reuniões no centro.

Os Conselhos Municipais também se reúnem geralmente no centro.

Mas o fato é que esse ingrediente espacial não se reflete, por ausência de articulação, talvez, em projetos amplos de revitalização do centro, com efetiva consistência política.

Será devido à sub-representação do centro na Câmara Municipal? Três ou quatro vereadores, se tanto, têm alguma atividade política relacionada diretamente, em termos territoriais, à região central.  Não se quer dizer que os vereadores não se preocupam com o centro, nada disso, estou apenas comentando a vinculação espacial a essa região, no sentido do território como entende, por exemplo, o geógrafo Milton Santos.

Mas, no entanto, nas questões políticas de maior peso e dimensão, para onde o povo vai?

Vai para o centro, para manifestações começadas geralmente na praça Visconde de Indaiatuba, popular Largo do Rosário, como aquela gigantesca de 20 de junho, Campinas honrando a tradição histórica de sintonia com as grandes causas sociais do Brasil.

Foi assim nas Diretas-Já, foi assim no Fora Collor, apenas para citar as mais recentes.

A praça, o centro, como ágora, desde a Grécia ou até antes dela. O lugar da política por excelência, longe da televisão e, agora, Internet, espaços contemporâneos da política, marqueteira ou não.

Não tem jeito. O povo na rua, na praça, é que muda as coisas, e em Campinas esse lugar é o centro.

Indicativo de que, apesar do esvaziamento, da sub-representação, o povo ocupando espaços, de forma politicamente articulada e criativa, culturalmente resgatada, é que levará à revitalização do centro?

O evento Chefs na Praça, no aniversário da cidade, praça Carlos Gomes, foi um sucesso de público, ato culinário, cultural e político da mais alta relevância. Sinalizador de que a ocupação é sadia, geradora de felicidade e paz.

O centro convida para o baile.  Quem vai dançar?

PROJETO FEAC NA ESCOLA MOSTRA TRANSFORMAÇÕES POSSÍVEIS NA EDUCAÇÃO PÚBLICA

Diretores de seis escolas da rede pública estadual de Campinas resumiram mudanças possibilitadas pelo FEAC na Escola (Fotos Valeria Abras)

Diretores de seis escolas da rede pública estadual de Campinas resumiram mudanças possibilitadas pelo FEAC na Escola (Fotos Valeria Abras)

Um jardim florido de esperança, uma janela aberta para um horizonte de possibilidades de transformação, rumo a uma educação de qualidade cada vez maior na escola pública. Foi este o sentimento despertado pela apresentação, na manhã desta quinta-feira, 29 de agosto, pelo Projeto FEAC na Escola, durante o primeiro Encontro Mensal que o Compromisso de Campinas pela Educação realizará até o final de 2013.
O Projeto FEAC na Escola vem sendo desenvolvido nos últimos três anos em parceria entre a Fundação FEAC e sete escolas da rede pública estadual em Campinas. As sete escolas fizeram uma análise situacional abrangente, com a participação de todos os integrantes de suas respectivas comunidades, para avaliar seus pontos fortes e as áreas que precisam ser melhor trabalhadas.
Todas as etapas foram acompanhadas por equipe técnica da FEAC, que também destinou recursos financeiros para implementação de melhorias pontuais. As escolas sempre deram a última palavra, elas decidiram o que fazer e por onde caminhar, tendo como base instrumentais oferecidos pelo próprio Ministério da Educação e pelo governo estadual. “Foi totalmente respeitada a autonomia das escolas, as reais protagonistas”, sintetizou a supervisora do projeto pela FEAC, Cláudia Chebabi.
As mudanças nas escolas são visíveis, como indicaram os dirigentes de seis delas, que participaram do encontro da manhã de hoje na própria FEAC. Melhorias substanciais no espaço físico foram verificadas por exemplo na Escola Estadual Professor Álvaro Cotomacci, observou a sua diretora, Ana Ladéia da Silva Anjos.
A diretora lembrou que, entre sete critérios de avaliação, constantes do diagnóstico inicial, o critério em que a escola apresentou menor pontuação foi a de Infraestrutura. “As instalações da escola estavam inadequadas e não favoreciam o processo de ensino e aprendizagem”, destacou.
O FEAC na escola, completou a diretora Ana, “possibilitou, dentre tantas outras ações, a revitalização deste espaço com melhorias radicais que vão desde a instalação de cortinas nas salas de aulas à compra de mobiliário e material pedagógico, a fim de implementar os planos de ensino discutidos no eixo pedagógico”. Ela lembrou ainda que a Fundação de Desenvolvimento da Educação (FDE) também destinou importantes recursos para a melhoria da infraestrutura da escola Álvaro Cotomacci, localizada na região do Campo Grande e que tem mais de 1000 alunos.

Ótimo público acompanhou depoimento de gestores, sobre mudanças no espaço físico, no alinhamento curricular, entre outras

Ótimo público acompanhou depoimento de gestores, sobre mudanças no espaço físico, no alinhamento curricular, entre outras

O alinhamento curricular, possibilitando que todos os professores tenham facilitada a elaboração de seus planos de aula, foi destacado por sua vez pela professora Shalimar Máximo, coordenadora pedagógica da EE.Prof.Mário Junqueira da Silva.
Por sua vez, a diretora da Escola Estadual São Judas Tadeu, Suzi Nunes, acentuou que, entre as diversas ações propostas no plano de suporte estratégico (elaborado por cada escola, a partir do diagnóstico inicial), encontra-se a de definição de estratégias de ensino. “Essa ação que faz parte do alinhamento curricular permite que os professores reflitam, troquem experiências acerca de suas práticas pedagógicas de sala de aula”, notou a diretora. “É uma oportunidade de planejarem de forma coletiva no espaço que a escola já dispunha para essa prática (conhecido com ATPC)”, disse. Na escola São Judas Tadeu, informou a diretora Suzi, o processo de definição das estratégias de ensino “fortaleceu a atuação coletiva, reflexiva e comprometida com o resultado”.
A melhoria substantiva na relação entre a escola e a comunidade foi sublinhada, por sua vez, pela diretora da EE Prefeito José Roberto Magalhães Teixeira, da Vila Padre Anchieta, no distrito de Nova Aparecida, Marli Porfíria Campos Almeida. Ela detalhou as mudanças verificadas na relação da escola com o Centro de Saúde do bairro, no caso de encaminhamentos necessários de alunos. “Antes do Projeto os encaminhamentos eram feitos e entregues aos pais que iam ou não ao Centro de Saúde para agendar atendimento. Hoje os encaminhamentos são agendados pelos pais e há uma devolutiva da psicóloga para a escola informando os alunos que estão sendo atendidos Quem conduz esse eixo e frequenta as reuniões de matriciamento das escolas no Centro de Saúde é a vice-diretora, professora Lourdes juntamente com a assistente social do projeto FEAC NA ESCOLA”, afirmou. Paralelamente, complementou a diretora, “com o apoio da rede de atendimento, a escola executa um plano de ação individual e pontual que atenda as necessidades de ensino e aprendizagem do aluno”, que é visto então em sua integralidade.
Os diretores também comentaram as lições resultantes do Projeto FEAC na Escola. A diretora da
EE Prof.Álvaro Cotomacci, Ana da Silva Anjos, ressaltou que a iniciativa confirmou a viabilidade e a necessidade de um processo democrático para melhorar a qualidade da educação. “A tarefa de educar para e pela cidadania e democracia no contexto escolar não é tarefa fácil, mas possível”, afirmou. “Oferecer espaços de exercício da cidadania, garantir a oportunidade de aprender a ser democrático, a ser solidário, a acreditar na capacidade de cada um na mudança, criar condições para que os professores, os pais, a comunidade, o aluno tomem para si o destino da sua escola pode favorecer um espaço de reflexão construído coletivamente”, frisou.
A diretora da EE Prof. Mario Junqueira da Silva, Roselena Candido da Silva, reiterou a relevância do trabalho coletivo. “As diferenças de concepção podem, dependendo do olhar, dificultar o trabalho coletivo, mas podem também ser um facilitador de diálogo, uma vez que demandem reflexões conjuntas sobre as questões pedagógicas e as ações a serem desenvolvidas, nascidas dessas reflexões”, disse. Para ela, o Projeto FEAC na Escola evidenciou que as diferenças “podem ser ponto de partida para a busca de soluções coletivas, compartilhadas de forma responsável a partir de ações combinadas, fruto de atitudes participativas”.

Pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas explicaram o processo de avaliação de impacto do FEAC na Escola

Pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas explicaram o processo de avaliação de impacto do FEAC na Escola

O Projeto mostrou que a sistematização de reuniões, envolvendo todos setores da escola, é perfeitamente possível, acrescentou a diretora da EE Prof. Luiz Gonzaga da Costa, Mara Espaletta Cyrino. “Uma das grandes lições foi o desenvolvimento da habilidade de sistematizar não só através de registros escritos, mas do processo de realizar reuniões com os vários setores que integram a escola”, contou. Ela citou o exemplo do setor do pessoal da limpeza, que se reúne semanalmente com a direção para avaliar a semana, trocar idéias, sugestões e avaliar os projetos que elas desenvolvem. “Fruto desses encontros semanais, elas são participantes ativas no comprometimento dos alunos e professores em manter as salas em ordem, pontuando e premiando as salas que mais se destacam na limpeza. Elas entregam um mimo para todos da sala premiada e a destacam no mural, com fotos de todos e em local bem visível da escola, incentivando todos a participarem”, explicou. “Todos na escola são educadores, o Projeto FEAC na Escola consolidou isso”, afirmou a diretora.
Claro, um projeto desse porte também resulta em desafios. Um deles foi comentado pelo diretor da EE Dr.Manoel Alexandre Marcondes Machado, Adriano Caetano Rolindo. Trata-se do envolvimento da comunidade, da sociedade em geral, para possibilitar mudanças efetivas na escola. “Precisamos de vocês. Escola pública de qualidade não se faz sem dinheiro, sem apoio técnico, sem vontade política e sem amor ao próximo. Quero dizer que nosso maior desafio é continuar estabelecendo parcerias que extrapolem os muros da escola”, afirmou, observando que não se trata apenas de apoio financeiro. “Falo também de apoio técnico, de compartilhamento de tecnologia, seja de gestão, ou expertise das mais diversificadas áreas. Tudo e todos que eventualmente servirem à promoção da escola de qualidade devem se engajar nesta causa”, complementou.
O professor Arnaldo Valentim Silva, coordenador pedagógico da EE Prof.Álvaro Cotomacci, defendeu por último a necessidade de tratar a Formação inicial do professor como política pública. “Umas das lições da cultura de análise da escola aprendida no desenvolvimento do Projeto Feac é que é preciso considerar a política pública como forte fator de impacto no desempenho da escola. Isso deve levar-nos a pensar as coisas de forma sistêmica e não compartimentada como tem sido a prática vigente”, disse.
O coordenador lembrou que o estado de São Paulo construiu um sistema de avaliação. Mas é preciso, defendeu, “avançar na construção/reconstrução de um sistema de Ensino. Não há sistema de avaliação que fique de pé e tenha como principio a equidade se não estiver ancorado num sistema de ensino. Ao pensar o sistema de ensino o papel do professor é central. Neste sentido é urgente pensar/repensar a formação inicial e continuada do professor. Repensar as licenciaturas. Repensar a carreira. Esse deve ser um esforço de toda a sociedade mas principalmente dos governos e das universidades. É preciso a construção de uma política pública que forme bem, pague bem e cobre com equidade, incluindo formar, acompanhar e cobrar”, completou o professor Arnaldo Valentim Silva.
Após o pronunciamento dos seis diretores de escolas presentes, foi apresentado o plano de avaliação estruturado especificamente para o Projeto FEAC na Escola. Ele foi apresentado pelos pesquisadores Priscilla Albuquerque e Walter Hupsel, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), integrantes da equipe que responde pela Avaliação de Impacto do Projeto. A instituição foi contratada justamente por ser uma referência nacional pela qualidade de seus estudos. A avaliação ainda será complementada até o início de 2014, mas os resultados preliminares já indicam o potencial de transformações importantes nas escolas, sobretudo em termos de gestão escolar, a partir da participação no Projeto FEAC na Escola.

Compromisso Campinas pela Educação fará um evento mensal até novembro, para mobilizar e sensibilizar para a causa da educação de qualidade

Compromisso Campinas pela Educação fará um evento mensal até novembro, para mobilizar e sensibilizar para a causa da educação de qualidade

Célula local do movimento nacional Todos pela Educação, o CCE espera que a série de quatro eventos até o final do ano represente um passo importante em sua missão de mobilizar a sociedade civil, em todos os seus segmentos, visando chamar a atenção para a causa e o tema Educação, evidenciando dados, promovendo estudos, discussões e debates acerca da qualificação da educação, especialmente na cidade de Campinas. O próximo Encontro Mensal será em setembro.
No final do evento de hoje foi apresentado o filme da mais nova campanha publicitária do Compromisso Campinas pela Educação, chamada Aprender Juntos para que a Escola Ensine. Campanha desenvolvida pela agência M51 e que faz justamente um apelo para que toda sociedade se mobilize e se envolva na grande causa da melhoria da qualidade na educação, o que o Projeto FEAC na Escola está sinalizando ser possível.

Convenção de Londres completa 40 anos

A Convenção para a Prevenção da Poluição Marinha por Despejo de Resíduos e Outras Matérias, de 1972, geralmente referida como Convenção de Londres, foi uma das primeiras convenções globais destinadas a proteger o ambiente marinho das atividades humanas. Está em vigor desde 1975.

Movimento Quero Creche e Assembleia Popular ocupam centro de Campinas no sábado dia 17

Cartaz único dos dois eventos na manhã de sábado, no centro da grande metrópole

Cartaz único dos dois eventos na manhã de sábado, no centro da grande metrópole

Dois signos de uma nova sociedade em construção, em rede, democrática, descentralizada, de educação e desenvolvimento integral, unidos e ocupando o centro de Campinas. Neste sábado, dia 17 de agosto, a partir das 9 horas, Assembleia Popular e Movimento Quero Creche em ações praticamente simultâneas.

Às 9 horas, na praça Rui Barbosa, a quarta Assembleia Popular, espaço de construção de um processo participativo, aberto, colaborativo, rumo a uma sociedade e uma cidade igualitárias, inclusivas, amorosas.

Pouco depois, às 9h30, bem pertinho dali, na praça da Catedral, o Movimento Quero Creche com sua plataforma por creches e  uma educação infantil integral, totalmente gratuita e laica.

Dois sinais claros de avanços civilizatórios, duas trilhas de esperança, sentimento e sonho de equidade.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990, foi uma das mais importantes contribuições éticas do Brasil na história recente da humanidade. Humanidade que, ao longo de sua trajetória, mais negou do que acolheu as crianças.

A infância como momento especial, como fase peculiar de encanto e desenvolvimento, de descoberta, de espanto e maravilhamento com a vida, é uma narrativa absolutamente recente no planeta.

Durante muito tempo, a infância não era vista como momento específico, com suas características e linguagens específicas. A criança vista como um homem ou mulher em miniatura. Quando não, sinal do pecado original e, por isso, sujeita – a criança – a castigos e expiações. E mão-de-obra baratíssima, para alimentar a economia do momento.

A infância e sua especificidade são recentes. E o Brasil deu enorme contribuição, já com o capítulo especial da Constituição de 1988, um ano antes da Convenção Internacional que consagrou a doutrina da proteção integral, oficializada no Brasil com o ECA, de 1990.

Mas a doutrina da proteção integral ainda necessitando de ser conquistada, na prática, e uma das etapas menos cobertas é a dos zero aos três anos de idade. Uma educação e um cuidado especial nesta fase, vitais para o desenvolvimento integral da criança e para o amadurecimento do próprio país. Estudos e estudos comprovam como o investimento correto nesta etapa resulta em benefícios enormes no futuro.

Esse avanço excepcional, essa demanda de justiça, esse imperativo ético, com certeza são alcançados com maior probabilidade em uma sociedade mais participativa, proativa, de cidadania pulsante e exigente.

É neste contexto que as duas demandas se casam e se mesclam. Daí a relevância e o significado especial destes eventos de sábado, no centro de Campinas.

A primeira infância em foco, o fortalecimento de fluxos e novos eixos de articulação, cultura e disseminação de informação como roteiro de uma nova sociedade. O encanto do mundo, em cantinho especial da grande metrópole.

Campinas tem sua versão de Mídia Ninja, com homenagem a fotógrafo Zinclar

João Zinclar, na apresentação que fez, no SESC-Campinas, do seu grande projeto, a viagem jornalística e afetiva pelo rio São Francisco

João Zinclar, na apresentação que fez, no SESC-Campinas, do seu grande projeto, a viagem jornalística e afetiva pelo rio São Francisco

Chega a Campinas o NinJoão Zinclar. Versão local de Mídia Ninja, em homenagem ao fotógrafo dos trabalhadores do Brasil, João Zinclar, falecido em acidente de ônibus em Minas Gerais a 19 de janeiro deste ano.

João, que nome mais brasileiro? Ele estava sempre no olho do furacão das transformações sociais. Sem-terra, povos indígenas, quilombolas, atingidos por barragens de todo Brasil – onde houvesse sinal de luta popular, lá estava ele.

Com esta postura, de certa forma o fotógrafo-cidadão antecipou o que Mídia Ninja tem feito, com as novas tecnologias de informação e comunicação, O gaúcho que morava há muito tempo em Campinas era na realidade um cidadão do mundo. Ele estava onde a história estava sendo feita. Foi um dos primeiros fotógrafos a registrar, por exemplo, o início das obras da polêmica usina de Belo Monte.

O seu grande projeto tornou-se realidade, resultando em um dos mais importantes trabalhos jornalísticos da história recente do país. Ele percorreu todas as margens do Velho Chico, registrando a vida dos seus moradores, índios, quilombolas, o povo mesmo, e a natureza da gigantesca bacia hidrográfica.

E esse esforço de reportagem memorável gerou o livro “O Rio São Francisco e as águas no sertão”. Foi lançado em 2010, impresso pela Gráfica Silvamarts, de Campinas. Muitas fotos do João e textos contundentes de jornalistas, ativistas e moradores da bacia que abrange vários estados.

Mídia Ninja é um dos símbolos do Brasil de hoje. João é um emblema do Brasil de sempre e um signo da imprensa das ruas e dos campos e das águas. NinJoão Zinclar chegou, e já está no Facebook.

Uma das imagens históricas do fotógrafo-cidadão, incluídas em seu principal projeto

Uma das imagens históricas do fotógrafo-cidadão, incluída em seu principal projeto

PROGRAMA ESCOLA EM MOVIMENTO PROMOVE O BRINCAR E A SAÚDE NA REGIÃO DE PIRACICABA

Direito ao brincar começa a ser resgatado para crianças de escolas da região de Piracicaba, que assinaram hoje termos de compromisso com Instituto Arcor

Direito ao brincar começa a ser resgatado para crianças de escolas da região de Piracicaba, que assinaram hoje termos de compromisso com Instituto Arcor

Na manhã desta quarta-feira, dia 14 de agosto, em Piracicaba, foram assinados os termos de compromisso relativos à participação de treze escolas públicas da região no Programa Escola em Movimento. Com apoio do Instituto Arcor Brasil as escolas desenvolverão projetos que focam o brincar como caminho para o resgate de infâncias saudáveis e o desenvolvimento integral.
Participaram do evento gestores, educadores e pais de alunos das 13 escolas que terão projetos apoiados pelo Instituto Arcor. Também estiveram presentes os secretários municipais de Educação de Capivari, Mombuca e Rafard, e representantes de Rio das Pedras.
“Foi uma iniciativa muito ousada do Instituto Arcor, porque, no nosso caso, o projeto vai movimentar toda a escola. Os alunos do ensino fundamental e médio estarão de alguma forma envolvidos, com a mediação dos educadores, visando a formação do ser humano integral”, afirmou a professora Márcia Sanches, coordenadora pedagógica da Escola Estadual Jardim Costa Rica, de Piracicaba, que desenvolverá o projeto “Espírito Lúdico: Currículo Vivo”. “O aluno vai aprender com o aluno, desenvolvendo várias linguagens, como teatro, literatura, o canto e a dança”, complementa a professora.
Para a EMEIEF Professor José Benedito Pinto Antunes, de Capivari, o projeto “RecBrinque: Assim é mais divertido” será a oportunidade para continuar e ampliar uma iniciativa que já era desenvolvida na escola, de utilizar o recreio como um momento lúdico de desenvolvimento humano. “Este momento é fundamental para ações de harmonização, de resolução de conflitos, envolvendo a comunidade escolar e os pais”, diz Jaqueline Claudio Sachs, vice-diretora da escola. Ela destaca que o projeto dará muita ênfase à capacitação de educadores, para trabalhar com brinquedos e jogos, visando o desenvolvimento integral das crianças.
A Escola Municipal Professor Fauze Cacil Canfur, de Monte Mor, implementará o projeto “Teatro & Educação”. De acordo com a diretora Regina Célia da Luz, o projeto buscará o envolvimento de toda a escola com a linguagem cênica, como metodologia para ampliação de horizontes culturais e desenvolvimento integral dos alunos.
O Programa Escola em Movimento está recebendo a consultoria de Adriana Friedmann. Ela é consultora nacional e internacional de fundações, escolas e outras organizações, em programas e projetos voltados para crianças e jovens, implementação de espaços lúdicos e elaboração de materiais didáticos. “É uma iniciativa corajosa do Grupo Arcor e Instituto Arcor, no sentido de oportunizar, em parceria com a escolas, espaços e tempos que favoreçam a vivência da infância pelas crianças. O lúdico, a fantasia, são essenciais para o desenvolvimento integral”, diz a consultora.
O Programa consistirá no apoio a projetos elaborados por escolas públicas, que viabilizem atividades voltadas para a criação e/ou fortalecimento de espaços, tempos e condições socioeducativas favoráveis para a promoção do brincar e dos hábitos de vida ativa nas crianças. O apoio aos projetos será de 18 meses.
Os treze projetos apoiados na primeira edição do Escola em Movimento são de escolas públicas da região de Piracicaba. Do próprio município de Piracicaba, são quatro projetos: “Viagem ao mundo cênico”, da EE “Pedro de Mello”; “Espírito Lúdico: Currículo Vivo”, da EE Jardim Costa Rica; “A arte de brincar e aprender”, da EM Prof.”Santo Granúzzio”; e “Pira, Picula e Trisca”, da EE Profa. “Avelina Palma Losso”.
Em Capivari são quatro escolas com projetos apoiados: “RecBrinque – Assim é mais divertido!”, da EMEIEF “Prof.José Benedito Pinto Nunes”; “O Brincar, resgatando valores”, da EMEIEF “Prof.Teresinha Aparecida Franchi”; “Brincando e encantando”, da EICAP “Teresinha de Jesus Macluf”, e “Brincando e se educando”, da EMEIEF “Dra.Jurema Aparecida de Sousa Martins”.
Um projeto será apoiado em Mombuca: “É brincando que se aprende”, da EMEF “Dr.Sérgio Estanislau do Amaral”. Em Monte Mor, será apoiado o projeto “Teatro & Educação”, da EM “Fauze Calil Canfur”. Projetos de escolas de outros três municípios serão apoiados pelo Instituto Arcor Brasil: “Recreio dirigido: assim é mais divertido”, da EMEF Prof. “Luis Grellet”, de Rafard; “Criança feliz!”, da EM “Profa.Claudete Aparecida Guidolim Nicolai”, de Rio das Pedras: e “Redescobrindo o mundo do brincar”, do CIEMS Nossa Senhora Aparecida, de Saltinho.
Os projetos que participarão do Programa Escola em Movimento, receberão apoio financeiro e técnico do Instituto Arcor Brasil. Os recursos financeiros serão utilizados na aquisição de materiais pedagógicos, compra de materiais de construção e infraestrutura mínima para o desenvolvimento das ações, capacitação e formação de pais, educadores e cuidadores, elaboração de materiais de difusão ou deslocamento para espaços e lugares de recreação ou de experiências lúdicas.

Evento reuniu representantes das 13 escolas públicas que receberão apoio técnico e financeiro durante um ano e meio

Evento reuniu representantes das 13 escolas públicas que receberão apoio técnico e financeiro durante um ano e meio